Diabetes Mellitus Tipo 2 – Resumo Completo
Conceito
O Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) é uma doença metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia resultante de defeitos na secreção e/ou ação da insulina. Representa 90-95% de todos os casos de diabetes.
Diferentemente do DM1, o DM2 está associado à resistência insulínica e disfunção progressiva das células beta pancreáticas, geralmente em indivíduos com sobrepeso ou obesidade.
Fisiopatologia
A fisiopatologia do DM2 envolve dois mecanismos principais:
1. Resistência insulínica: Os tecidos periféricos (músculo, fígado e tecido adiposo) apresentam resposta diminuída à ação da insulina, levando à redução da captação de glicose.
2. Disfunção das células beta: Progressiva perda da capacidade secretória de insulina pelas células beta pancreáticas, inicialmente compensatória e posteriormente insuficiente.
Fatores contribuintes:
- Obesidade (especialmente visceral)
- Sedentarismo
- Predisposição genética
- Envelhecimento
- Lipotoxicidade e glicotoxicidade
- Inflamação crônica de baixo grau
Diagnóstico
O diagnóstico de DM2 pode ser estabelecido por qualquer um dos seguintes critérios:
- Glicemia de jejum: ≥ 126 mg/dL (jejum de 8 horas)
- Hemoglobina glicada (HbA1c): ≥ 6,5%
- Glicemia 2h após TOTG: ≥ 200 mg/dL (teste oral de tolerância à glicose com 75g)
- Glicemia aleatória: ≥ 200 mg/dL + sintomas clássicos (poliúria, polidipsia, perda de peso)
Observação: Na ausência de hiperglicemia inequívoca, o diagnóstico deve ser confirmado com repetição do exame.
Pré-diabetes:
- Glicemia de jejum alterada: 100-125 mg/dL
- Tolerância à glicose diminuída: glicemia 2h após TOTG entre 140-199 mg/dL
- HbA1c: 5,7-6,4%
Exames de Rastreio
Indicações de rastreamento:
- Todos os adultos com sobrepeso/obesidade (IMC ≥ 25 kg/m²) e pelo menos um fator de risco adicional
- Todos os adultos a partir dos 45 anos, independentemente do peso
- Mulheres com história de diabetes gestacional
- Pacientes com síndrome dos ovários policísticos
- Pacientes em uso de medicações diabetogênicas (corticoides, antipsicóticos)
Exames recomendados: Glicemia de jejum ou HbA1c. Se normal, repetir a cada 3 anos (ou anualmente se pré-diabetes).
Metas Glicêmicas
Metas gerais (individualizadas conforme perfil do paciente):
- HbA1c: < 7% (maioria dos adultos)
- Glicemia de jejum: 80-130 mg/dL
- Glicemia pós-prandial (2h): < 180 mg/dL
Metas mais rigorosas (HbA1c < 6,5%): Pacientes jovens, sem comorbidades, sem risco de hipoglicemia, diagnóstico recente.
Metas menos rigorosas (HbA1c < 8%): Idosos, expectativa de vida limitada, complicações avançadas, hipoglicemias graves recorrentes.
Tratamento Não Farmacológico
As mudanças no estilo de vida são fundamentais e devem ser recomendadas para todos os pacientes:
- Perda de peso: Redução de 5-10% do peso corporal melhora significativamente o controle glicêmico
- Dieta: Redução de carboidratos simples, aumento de fibras, controle de porções, dieta mediterrânea
- Atividade física: 150 min/semana de exercício aeróbico moderado + exercícios de resistência 2-3x/semana
- Cessação do tabagismo
- Redução do consumo de álcool
Tratamento Farmacológico
Primeira linha:
Metformina é o medicamento de escolha inicial para todos os pacientes com DM2, salvo contraindicações (TFG < 30 mL/min, acidose metabólica).
- Dose inicial: 500-850 mg/dia, aumentar gradualmente até 2000-2550 mg/dia
- Mecanismo: reduz produção hepática de glicose, melhora sensibilidade à insulina
- Vantagens: não causa hipoglicemia, promove perda de peso, baixo custo
Segunda linha (associação à metformina):
- Inibidores da SGLT2: Empagliflozina, Dapagliflozina (benefício cardiovascular e renal)
- Agonistas do GLP-1: Liraglutida, Semaglutida (benefício cardiovascular, perda de peso)
- Inibidores da DPP-4: Sitagliptina, Vildagliptina (neutros, não causam hipoglicemia)
- Sulfonilureias: Glibenclamida, Gliclazida (risco de hipoglicemia e ganho de peso)
- Insulina basal: NPH, Glargina, Detemir (quando HbA1c > 9% ou sintomas de hiperglicemia)
Escolha baseada em comorbidades:
- Doença cardiovascular estabelecida: iSGLT2 ou aGLP-1 com benefício CV comprovado
- Doença renal crônica: iSGLT2 (se TFG ≥ 20 mL/min)
- Insuficiência cardíaca: iSGLT2
- Obesidade: aGLP-1 ou iSGLT2
Complicações
Complicações microvasculares:
- Retinopatia diabética: principal causa de cegueira em adultos. Rastreamento anual com fundoscopia.
- Nefropatia diabética: avaliar anualmente com albuminúria e TFG. Controle pressórico rigoroso com IECA/BRA.
- Neuropatia diabética: periférica (parestesias, dor neuropática) e autonômica (gastroparesia, disfunção erétil).
Complicações macrovasculares:
- Doença arterial coronariana (IAM)
- Doença cerebrovascular (AVC)
- Doença arterial periférica (pé diabético)
Complicações agudas:
- Hipoglicemia: glicemia < 70 mg/dL. Tratamento: 15g de carboidrato simples (regra dos 15).
- Estado hiperglicêmico hiperosmolar: glicemia > 600 mg/dL, osmolaridade > 320 mOsm/L, sem cetose significativa. Tratamento: hidratação vigorosa + insulina.
Dicas de Prova
- DM2 é diagnosticado com glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL ou HbA1c ≥ 6,5%
- Metformina é sempre a primeira escolha, salvo contraindicações
- iSGLT2 e aGLP-1 têm benefício cardiovascular e renal comprovado
- Meta de HbA1c < 7% para maioria dos adultos (individualizar)
- Rastreamento anual de complicações: fundoscopia, albuminúria, exame dos pés
- Sulfonilureias causam hipoglicemia e ganho de peso
- Insulina basal é indicada quando HbA1c > 9% ou sintomas de hiperglicemia
- Pré-diabetes: glicemia de jejum 100-125 mg/dL ou HbA1c 5,7-6,4%
- Estado hiperglicêmico hiperosmolar: glicemia > 600 mg/dL, sem cetose
- Tratamento de hipoglicemia: regra dos 15 (15g de carboidrato, reavaliar em 15 min)
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